5 templos imperdíveis no país-sede das Olimpíadas

Um roteiro para uma visita a santuários em três cidades do Japão

Os toriis do Fushimi-Inari-Taisha, em Kioto, chegam a formar vários “túneis”

São mais de 150 mil locais santos com história para contar: não há como ir ao Japão sem visitar seus templos. Vários deles. Cinquenta e seis anos depois, Tóquio volta, em 2020, a sediar os Jogos Olímpicos, e tanto a cidade quanto o país entram na lista de tendências de viagem para os próximos anos. O governo japonês, inclusive, espera dobrar o número de visitantes, ano que vem, para 40 milhões.

Serão 15 dias de Jogos (de 24 de julho a 9 de agosto), mas uma viagem ao outro lado do mundo exige que o investimento financeiro seja muito bem aproveitado, certo? Portanto, valem esticar o passeio ou também aproveitar os dias sem competição de seus esportes favoritos para conhecer um pouco mais a Terra do Sol Nascente.

Para este tour, sugerimos cinco dos templos mais fantásticos do Japão, no caso, em três cidades – Tóquio mesmo, Kioto (que fica a duas horas e dez minutos de trem bala da capital) e Koyasan, o lugar em que nasceu uma das maiores escolas do budismo japonês (fica a uma hora e quinze minutos de avião até Osaka mais hora e meia de carro/ônibus).

Jardim no centro histórico de Kioto, cidade que foi capital do Japão Imperial

 Ah, e quanto a uma viagem ao Japão ter a fama de cara, saiba que há, no arquipélago, boas opções de alimentação e hospedagem para diferentes gostos e bolsos. Para dormir, por exemplo, a despesa pode variar do que é cobrado num cinco estrelas do Ritz-Carlton ao que se paga em um hotel da rede Ibis ou em um ryokan (hospedaria típica, onde se come sentado no chão e se dorme em futtons). Para comer, consideramos uma variação entre o que é considerado o melhor sushi do mundo (do Sukiyabashi Jiro) a saborosos caldos de lámen a US$ 5 em restaurantes populares.

Interior de um quarto do Fukuchi In, uma típica pousada japonesa, chamada de ryokan

Confira abaixo cinco templos japoneses que considero imperdíveis.

FUSHIMI-INARI-TAISHA, Kioto

Outra parte dos toriis que avançam colina acima no complexo do templo Fushimi-Inari-Taisha

Toriis são portais que indicam a passagem da atmosfera mundana para o sagrado. Pois imagine milhares deles, na cor vermelho-abóbora, formando pequenos túneis, às vezes compactados, às vezes entremeados pela luz do dia. É assim parte do caminho a percorrer para conhecer todo o complexo do Fushimi-Inari-Taisha, templo xintoísta que fica no bairro de Fushimi, em Kioto. Inari, o deus do arroz – único produto agrícola em que o Japão é autossuficiente – tem milhares de santuários espalhados pelo país.

Fushimi-Inari é algo tão original quanto a própria Terra do Sol Nascente. O santuário principal fica na base da montanha, que também se chama Inari. Para chegar ao topo é preciso seguir por quatro quilômetros, em mais ou menos três horas de caminhada, ida e volta. Mas a maioria dos visitantes costuma parar na metade do trajeto, na Yotsutsuji Intersection, de onde se tem uma bela vista de Kioto.

Placa na entrada da montanha mostra todo o caminho a percorrer para chegar ao topo

Ao longo da trilha, observa-se dizeres e assinaturas (em japonês) de pessoas agradecendo dádivas recebidas do deus do arroz: há tempos, Inari foi adotado por negociantes em geral, em busca de bênçãos financeiras.

 Pequenos santuários e lojinhas vendem toriis de tamanhos e preços variados. Esses portais funcionam originalmente como porta de entrada para os templos xintoístas.

A visita é gratuita. Mais informações: kyoto.travel/en/shrine_temple/180

KINKAKU-JI ou Pavilhão Dourado, Kioto

O Kinkaku-Ji, ou Pavilhão Dourado, é um dos patrimônios da humanidade do Japão

São mais de 700 anos de vaivém. Construído nos anos 1390 como local de descanso de um shogun, o Kinkaku-Ji logo foi transformado em um templo zen. Mas, ao longo de uma guerra civil que durou dez anos (a Õnin, 1467/1477), o santuário foi destruído várias vezes.

Acabou sendo reerguido tempos depois. Até que, em 1950, um monge fanático o incendiou. Só que, em 1955, já fora novamente construído e, em 1994,  ganhou da Unesco o título de Patrimônio da Humanidade. Coberto por folhas de ouro e com a fênix chinesa no telhado, é um dos lugares mais visitados de Kioto.

Ou seja, por si só, a visão externa da construção já garantiria a visita. Mas a localização do Kinkaku-Ji também produz imagens inesquecíveis. O pavilhão fica diante de um lago espelhado, onde estão dez pequeníssimas ilhas, e em meio a um jardim japonês, em Kita-ku, uma das áreas protegidas da cidade. Atualmente, suas instalações internas, que se integram ao exterior, estão abertas à visitação.

Ingresso: US$ 3,50. Mais informações: kyoto.travel/em/shrine_temple/132

KIYOMIZU-DERA, Kioto

Talvez essa seja a varanda de madeira mais fotografada do mundo. Do Japão, com certeza, é. Parte em destaque do santuário principal do Kiyomizu-dera, o imponente palco de 190 metros quadrados, suspenso sobre a encosta íngreme do Monte Otowa, está apoiado sobre 18 pilares de 13 metros de altura, em técnica que permite que a construção, toda de encaixe, se sustente sem o uso de um único prego.

O KIYOMIZU-DERA e sua varanda de madeira. Foto de Martin Falbisoner/Creative Commons

Outro Patrimônio Mundial da Humanidade, em título concedido pela Unesco em 1994,  o budista Kiyomizu-dera tem mais de 1.200 anos. O templo foi fundado em 778, destruído anos depois e reconstruído em 1633.

 Kiyomizu quer dizer “água limpa” ou “água pura”: o templo ganhou esse nome porque por ali está a Cachoeira de Otowa, famosa por ter uma água rica em sais minerais. E por ser considerada sagrada. Assim, diferentemente da maioria dos templos japoneses, onde os visitantes optam por apenas molhar mãos e boca em suas fontes, no Kiyomizu eles costumam beber a água.

O complexo fica no bairro de Higashiyawa, a 15 minutos de ônibus, a partir da estação de Kioto. Desça na Kiyomizu-michi e caminhe mais uns dez minutos colina acima. No caminho, há lojinhas de artesanato, restaurantes e barracas de comidinhas.

Ingressos: US$ 3,50. Mais informações no kiyomizu-dera.or.jp/em

SENSO-JI, Tóquio

Era o ano de 628 quando dois irmãos pescadores retiraram do rio Sumida uma estátua de Kannon, a divindade da misericórdia (masculina em algumas regiões, feminina em outras). Eles devolviam a imagem ao rio, mas ela voltava. Devolviam, e ela voltava. Concluíram que aquilo era um sinal, para que ali fosse construído um espaço em homenagem a Kannon. E assim nasceu, em 645, o Senso-ji, templo mais popular e antigo da capital japonesa.

O Senso-ji é o templo mais popular e antigo de Tóquio: são 30 milhões de visitantes ao ano

O Senso-ji é budista, e ali ao lado dele fica o xintoísta Sanja-sama, o que reforça o bom convívio de religiões no Japão, onde casamentos e batizados costumam ser comemorados no xintoísmo; e a morte, celebrada no budismo. 

 O complexo religioso está localizado na superturística região de Asakuza, e é daqueles lugares que, se você quiser visitar sem tumulto, melhor acordar muito mais cedo do que imagina. São 30 milhões de pessoas que vão até lá anualmente. Imagine como será durante dos Jogos…

Lojinhas de artesanato e barracas de comida no caminho do complexo estão sempre cheias de turistas. Já no templo, grande parte dos visitantes presta homenagens às divindades. Além disso, aproveita para tirar a sorte, obedecendo a um lema específico: se a sorte for boa, leve-a (o papelzinho) com você; se for má, deixe-a amarrada no varal instalado no lugar.

Ingressos: gratuitos. Mais informações: gotokyo.org/en/spot/15

KONGOBU-JI, Koyasan

A cidadezinha de Koyasan não é tão próxima de Tóquio quanto Kioto. Mas essa é uma visita que vale super a pena para quem quer conhecer um dos lugares mais sagrados do Japão. Ali, tão ou mais impactante do que o templo Kongobu-ji é a atmosfera de todo o Monte Koya, um Patrimônio Mundial da Unesco, tido como o Vaticano de uma das maiores escolas do budismo japonês, o shingon.

No jardim do templo Kongobu-ji, pedras e areia representam dois dragões saindo das nuvens

O Kongobu-ji é a matriz da escola shingon. Antes de entrar em suas salas amplas e decoradas, passamos por um moderno jardim com mais de cem peças de pedras de granito, que representam dois dragões: eles estariam saindo das nuvens (representadas pela areia ao redor), para proteger o templo.

Desde meados do primeiro milênio servindo de moradia para adeptos do shingon, o Monte Koya chegou a ter 600 templos na metade do século XVI. Atualmente, eles são pouco mais de cem.

Ingresso ao Kongobu-ji: US$ 4,50. Mais informações: koyasan.or.jp/en/kongobuji

Chegando a Koyasan: a base para chegar ao Monte Koya é a cidade de Osaka, que fica a pouco mais de uma hora de avião e pouco mais de duas horas de trem-bala de Tóquio. De Osaka até o Monte Koya, mais hora e meia de transporte rodoviário.

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